Pânico ou Infarto? Estudo explica por que o coração feminino engana exames

Pânico ou Infarto? Estudo explica por que o coração feminino engana exames

Pânico ou Infarto? Estudo explica por que a dor no peito feminina é fatalmente confundida com ansiedade

A doença cardíaca na mulher frequentemente se esconde sob o diagnóstico de ansiedade. O estudo PROMISE, analisado pelo Medscape em 27 de fevereiro de 2026, revelou que mulheres sofrem infartos com uma carga de placa coronariana significativamente menor que os homens (20% vs 28%), explicando por que exames tradicionais muitas vezes falham em protegê-las.

O Viés Diagnóstico: “É só estresse, senhora”

Na interface entre a psiquiatria e a cardiologia, a dor torácica é um sintoma complexo. Muitas mulheres com doença arterial coronariana (DAC) relatam que suas queixas foram inicialmente tratadas como síndrome do pânico ou somatização. Isso ocorre porque o padrão médico de diagnóstico cardíaco foi historicamente construído baseado na biologia masculina, que exige artérias severamente entupidas (obstrutivas) para disparar um alerta vermelho.

A análise de mais de 4.200 pacientes do estudo PROMISE (utilizando angiotomografia) muda esse cenário. A pesquisa comprovou que o coração da mulher é mais vulnerável à inflamação e ao risco de Eventos Cardiovasculares Adversos Maiores (MACE). Enquanto um homem precisa de, em média, 28% de carga de placa para sofrer um infarto, a mulher atinge a mesma zona de perigo com apenas 20% de placa.

“Em mulheres com dor torácica estável, o risco de eventos cardiovasculares adversos parece surgir com uma carga de placa coronariana total mais baixa em comparação aos homens… a doença não obstrutiva carrega implicações prognósticas substanciais.”

— Análise Clínica do Medscape sobre o Estudo PROMISE (Fevereiro de 2026).

Doença Não Obstrutiva: Um Assassino Silencioso

Mulheres tendem a apresentar volumes totais de placa menores, o que faz com que seus cateterismos ou testes de esteira frequentemente voltem “normais” ou “leves”. O médico as tranquiliza e receita um ansiolítico. O estudo PROMISE prova que essa “doença não obstrutiva” é altamente letal para as mulheres. A placa feminina pode ser menor em volume, mas é instável e propensa a rupturas súbitas.

Comparativo: Risco Coronariano por Sexo (Estudo PROMISE 2026)

Parâmetro Clínico Mulheres Homens
Carga de Placa Gatilho para Eventos (MACE) 20% (Menor limiar de tolerância) 28% (Maior limiar)
Prevalência Geral de Placa 55% 75%
Apresentação Diagnóstica Comum DAC Não Obstrutiva (Falsos negativos clínicos) DAC Obstrutiva (Facilmente detectável)
Incidência de Eventos Fatais 2,3% (Altamente comparável) 3,4%

O Impacto no Brasil: Psiquiatria Integrativa

No Brasil, onde as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte feminina, psiquiatras e clínicos do SUS devem estar em alerta máximo. Quando uma paciente de meia-idade, especialmente com histórico de hipertensão ou dislipidemia, entra no consultório com queixa de dor no peito, insônia e fadiga (sintomas clássicos de depressão e infarto feminino), o diagnóstico de ansiedade deve ser um diagnóstico de exclusão. Validar a dor dessa paciente e solicitar uma avaliação cardiovascular sensível ao sexo (como a angiotomografia quantitativa) pode salvar sua vida.


Perguntas Frequentes (FAQ)

Como diferenciar dor de ansiedade e dor de infarto na mulher?

É difícil apenas pelos sintomas, pois o infarto na mulher raramente é a “dor irradiando para o braço esquerdo”. Costuma ser fadiga extrema, dor nas costas, queimação no estômago e falta de ar. Na dúvida, sempre procure uma emergência antes de assumir que é pânico.

Por que a placa menor infarta a mulher?

As artérias das mulheres são estruturalmente mais finas e respondem de forma diferente à inflamação e aos hormônios. A placa de colesterol feminina tende a se “espalhar” pela parede do vaso em vez de formar um nódulo isolado, rompendo-se com mais facilidade.

O exame de cateterismo pode errar?

O cateterismo tradicional visualiza grandes obstruções. Se a doença for microvascular (vasos muito finos) ou espalhada uniformemente (típico nas mulheres), o exame pode parecer normal. Novos métodos como a Angiotomografia Coronariana quantitativa são mais eficazes nesses casos.


Referências Bibliográficas:

  1. Medscape Português. “Estudo PROMISE revela trajetórias de risco cardiovascular diferentes para mulheres e homens.” (Fev 27, 2026). Acesse a análise completa.
  2. PROMISE Trial Investigators. “Sex Differences in Coronary Plaque Burden and MACE.” (2026).
  3. Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). “Diretriz de Doença Coronariana na Mulher.”

Este artigo tem caráter informativo. Nunca ignore dores no peito. Busque avaliação médica imediata antes de considerar causas emocionais.

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