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06/10/2008
T.O.C.
Aqui situam-se os que têm “manias”; mania por limpeza, por segurança, por simetria, entre outras. Checar a porta de casa várias vezes ao sair de casa, lavar as mãos inúmeras vezes por dia, deixar sempre as coisas em ordem, alinhadas. O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) pode ser mais comum do que você pensa.

Leia sobre: visão geral  /  prevalência  /  causas  /  diagnóstico  /  curso e prognóstico  /  tratamento  /  curiosidades
 
Visão geral
O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) era tido como um distúrbio incomum e que respondia pouco ao tratamento até os anos 80. Entretanto, conforme as pesquisas avançaram, acabou-se vendo que era um distúrbio comum mas muito pouco pesquisado. Hoje em dia sabe-se que ele é relativamente freqüente e que respondem bem às terapêuticas atuais.

Obsessão é um pensamento, uma sensação ou sentimento, intrusivo e persistente. O indivíduo reconhece o pensamento como sendo dele mas este pensamento é muito repetitivo, circular, e incomoda bastante, atrapalhando a vida psíquica do indivíduo.

Já a compulsão caracteriza-se por atos, comportamentos ou rituais conscientes, também repetitivos e padronizados, como por exemplo contar, verificar ou evitar. As obsessões, uma vez que incomodam, geram muita ansiedade. As compulsões, os rituais, via de regra aliviam essa ansiedade.
Assim, o TOC caracteriza-se pela presença de obsessões e compulsões de maneira contínua e disfuncional na vida do indivíduo.
 
Prevalência
Em geral e prevalência do TOC varia de 2 a 3% da população geral, sendo que alguns estudos falam em até 10%. É, dessa forma, o quarto transtorno psiquiátrico mais comum (fica atrás apenas de depressão maior, dependência química e fobias).

Afeta igualmente homens e mulheres adultos, entretanto, quando iniciado na adolescência, parece afetar discretamente mais homens. A idade de início está entre 25 e 35 anos, na maior parte dos casos; um terço dos casos inicia-se abaixo dos 25 anos e 15% dos pacientes têm início dos sintomas após os 35 anos.

É comum na pessoa que tem TOC a presença de outros tipos de diagnósticos psiquiátricos; acredita-se que até 67% destas tenham transtorno depressivo maior em alguma época de suas vidas. Da mesma maneira, até 25% dos que tem TOC podem apresentar também fobia social.
 
Causas
Fatores biológicos. Aventa-se a hipótese de o neurotransmissor serotonina estar relacionado ao TOC, uma vez que drogas que mexam com essa neurotransmissão (anti-depressivos) afetam a apresentação de sintomas do paciente. Não se sabe, entretanto, se a serotonina teriam algum papel causal no TOC.

Estudos de neuro-imagem apontam para uma hiperatividade do lobo central em pacientes afetados pelo distúrbio. A psicoterapia e o uso de medicações melhora os sintomas e tal hiperatividade corrige-se após novos exames.

Parece haver também uma forte influência genética, mas não se conseguiu ainda dinstinguir o que seria influência de uma carga genética positiva para o transtorno e o que seria influência cultural ou ambiental (educação familiar, por exemplo).

Fatores comportamentais. Teóricos da aprendizagem acreditam que o TOC é fruto de um condicionamento. Um estímulo neutro seria pareado com um estímulo nocivo, tornando-se o primeiro estímulo então também nocivo. Assim, objetos e pensamentos anteriormente neutros tornam-se ameaçadores e capazes de gerar ansiedade.

Dando prosseguimento, o mesmo indivíduo descobre que uma ação está relacionada à diminuição da ansiedade para dado estímulo agressor. Desenvolve assim comportamentos compulsivos e ritualisticos para se defender do estímulo, vendo que tais comportamentos são eficazes em reduzir a ansiedade da obsessão, ainda que temporariamente. Está “montado” o TOC.

Fatores psicossociais. Sigmund Freud descreveu três mecanismos através dos quais surgiriam sintomas obsessivos-compulsivos. No primeiro deles, o ISOLAMENTO, o paciente isolaria de sua consciência afetos e impulsos que por alguma contingência não são viáveis conscientemente. Tais afetos e impulsos indesejáveis ficam no inconsciente. Na ANULAÇÃO, estes afetos e impulsos, mal reprimidos, não conseguem ficar totalmente inconscientes e tendem a voltar à consciência; para anulá-los surgem então as compulsões, rituais que visam a manter tais afetos fora da consciência.

Estes dois mecanismos acima descrevem mais atitudes, comportamentos, sintomas das pessoas com TOC. Na FORMAÇÃO REATIVA há o envolvimento de padrões comportamentais manifestos e atitudes que são exatamente o oposto dos impulsos básicos, novamente, na tentativa de não experimentar na consciência tais impulsos/afetos.
 
Diagnóstico
Em linhas gerais, para o diagnóstico do TOC são necessários:
A. Obsessões ou compulsões:

Obsessões:

a) pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e persistentes, são intrusivos e causam ansiedade àquele que os experimenta;
b) esses pensamentos são mais fortes do que meras preocupações;
c) a pessoa tenta ignorar ou neutralizar tais pensamentos;
d) a pessoa reconhece que tais pensamentos, apesar de desagradáveis, são de sua própria mente;

Compulsões:

a) comportamentos (lavar as mãos, por exemplo) ou atos mentais (contar ou repetir palavras em silência) repetitivos os quais a pessoa se vê obrigada a fazer para aliviar a tensão gerada pelas obsessões;
b) tais comportamentos ou atos mentais visam a reduzir o sofrimento gerado pelas obsessões, entretanto são claramente excessivos ou não tem conexão realistica com as obsessões.
c) Em algum momento reconhece que as obsessões ou compulsões são exageradas;
d) Obsessões ou compulsões causam acentuado sofrimento, ocupam boa parte do dia (mais que 1 hora) ou interferem significativamente na vida do indivíduo;
e) Deve-se atentar para a existência de outro transtorno psiquiátrico que esteja gerando os sintomas ou se há alguma substância ou condição médica que gere os sintomas; neste caso o diagnóstico de TOC fica comprometido.

Pelos critérios acima, não é necessário a ocorrência de compulsões e obsessões para o diagnóstico; alguns pesquisadores acham que 75% dos pacientes tem ambos, enquanto que os outros 25% têm apenas obsessões. Entretanto, outras linhas de pensamento postulam que sempre que há uma obsessão há uma compulsão.

Via de regra as pessoas com TOC procuram outras especialidades médicas que não o psiquiatra; por exemplo o dermatologista por problemas de rachaduras nas mãos (para aqueles com “mania de limpeza”).

As obsessões mais comuns são de contaminação, dúvida patológica (”insegurança”) e obsessões somáticas (doença, por exemplo). As compulsões mais comuns são a verificação (checar se uma porta está fechada), lavagem e contagem.
 
Curso e prognóstico
Em cerca de 50% dos casos de TOC o início é abrupto, e em até 70% o mesmo se dá após eventos vitais estressores (gravidez, morte de parente, etc.). Quando o problema se inicia, há uma preocupação em mascarar, esconder os sintomas, o que faz com que haja uma demora em média de 5 a 10 anos até que a pessoa procure um tratamento. Este tempo parece estar se encurtando devido à progressiva conscientização do transtorno e sua exibição nos meios de comunicação.

Dos pacientes com TOC que se tratam, 20 a 30% ficam sem sintomas, 40 a 50% atingem melhora parcial e 20 a 40% permanecem doentes ou até pioram seus sintomas.
 
Tratamento
O tratamento do TOC é feito classicamente com antidepressivos, inicialmente os inibidores de recaptação da serotonina (IRSS); tricíclicos também podem ser utilizados, e o padrão-ouro para a terapêutica é a clomipramina (Anafranil).

A psicoterapia também é de importante valia; a terapia comportamental tem se mostrado bastante eficaz na debelação das compulsões. A terapia psicodinâmica, voltada para o insight, se mostra útil também para os casos onde há resistência/relutância ao tratamento.
 
Curiosidades
- grandes personalidades já declararam em público que têm TOC como Roberto Carlos e Luciana Vendramini; Roberto Carlos era considerado supersticioso por não envolver em suas letras o inferno e sentimentos ruins, por evitar a cor marrom e por sempre sair pela mesma porta pela qual entrou; Luciana Vendramini era capaz de ficar horas no banho.
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