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06/10/2008
TDAH
“Desde muito cedo sempre chamei a atenção na classe da escola por fazer muita bagunça, não parar quieto na sala. Meus pais eram chamados constantemente para reuniões… Nunca consegui prestar atenção direito nas lições, perdia coisas com facilidade, era chamado de ‘avoado’, diziam sempre que eu estava ‘no mundo da lua’.”

Aprenda aqui sobre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: definição  /  alguns dados  /  causas  /  diagnóstico do TDAH  /  curso e prognóstico  /  tratamento  /  importante  /  links
 
 
Definição

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) caracteriza-se por um alcance inapropriadamente fraco da atenção e/ou aspectos de hiperatividade ou impulsividade inapropriados para a idade. O distúrbio começa antes dos 7 anos e as alterações tem de durar no mínimo 6 meses para que o diagnóstico seja realizado.

A alteração está sendo descrita desde o começo do século passado, mas só agora, através da mídia, tem ganhado força e mais casos tem sido diagnosticados, com novos critérios diagnósticos. Segundo os mesmos, pode ser observado déficit de atenção sem hiperatividade, e hiperatividade sem o déficit de atenção; ambos os casos são passíveis de diagnóstico e tratamento hoje em dia. O tipo misto, com ambas as alterações, também existe.
 
Alguns dados

Acredita-se que a taxa do distúrbio permaneça entre 3 a 5% das crianças de escola primária. Alguns estudos que utilizam critérios mais amplos falam em até 20% das crianças na mesma idade, nos E.U.A.. O distúrbio é mais freqüente em primogênitos (primeiro filho, do sexo masculino, do casal); observa-se maior freqüência de hipercinesia, sociopatia (problemas de personalidade) e dependência de álcool nos pais das crianças com TDAH.
 
Causas
Ainda não se sabem as causas do TDAH. Não há evidência de lesão cerebral; da mesma maneira, crianças com lesão cerebral não apresentam comportamentos compatíveis com o TDAH. Sugere-se que exposições tóxicas pré-natais, insulto mecânico e prematuridade contribuam para o distúrbio, assim como a ingesta de corantes, aditivos alimentares e conservantes. Entretanto, até o momento, não há evidência científica para esses achados.

Através de estudos com gêmeos, presume-se haver uma influência genética no aparecimento do transtorno. Irmãos de crianças com TDAH tem o dobro de risco de serem afetados pelo distúrbio em comparação com a população geral.

Uma vez que drogas estimulantes são terapêuticas para o transtorno, aventa-se a hipótese de que neurotransmissores como a dopamina e a noradrenalina estejam envolvidos com o transtorno, já que tais drogas mexem na neurotransmissão destas substâncias.

Crianças institucionalizadas geralmente mostram-se muito ativas e tem fraca atenção, resultado de privação emocional prolongada. Geralmente estes comportamentos melhoram com a reaproximação da família ou com a colocação destas crianças em lares intermediários. Perturbações familiares e outros geradores de ansiedade pioram ou desencadeiam o TDAH.

Fatores sociais predisponentes incluem o temperamento familiar, constituição genética da família e exigência da sociedade no sentido de tomar formas rotinizadas de comportamento e desempenho. A situação sócio-econômica não parece ter influência.
 
Diagnóstico do TDAH
Embora o TDAH geralmente comece a se manifestar por volta dos 3 anos, o diagnóstico só é feito quando a criança atinge a primeira série, pois é nesta época que ela começa a entrar em um regime de aprendizado onde um padrão de comportamento estruturado é necessário.

Desatenção ou hiperatividade são necessários.

Para a desatenção, seis ou mais dos seguintes sintomas devem estar presentes de uma maneira desadaptativa por um período de no mínimo 6 meses:
1. deixa de prestar atenção com freqüência na escola gerando muitos erros por descuido;
2. dificuldade persistente em manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas (brincar, por exemplo)
3. parece não escutar quando falam com ele, com freqüência;
4. com freqüência não segue instruções e não termina uma atividade que começou;
5. dificuldade de organizar tarefas e atividades com freqüência;
6. com freqüência evita ou antipatiza atividades que exijam esforço mental constante;
7. perde coisas com freqüência;
8. é facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa;
9. freqüentemente apresenta esquecimentos com atividades diárias.
 
 
Para a hiperatividade/impulsividade, seis ou mais dos seguintes sintomas devem estar presentes de uma maneira desadaptativa por um período de no mínimo 6 meses:

1. remexe mãos ou os pés, ou se remexe na cadeira com freqüência;
2. com freqüência não consegue permanecer sentado em sua cadeira (na sala de aula, por exemplo);
3. freqüentemente corre em demasia onde isso é inadequado (adolescentes e adultos podem se sentirem inquietos somente);
4. dificuldade em brincar ou se envolver em atividades prazeirosas em silêncio;
5. está freqüentemente “à mil”, ou “à todo vapor”;
6. fala demais;
7. com freqüência responde apressadamente antes de a pergunta ter sido formulada;
8. freqüente dificuldade em aguardar sua vez;
9. freqüentemente interrompe ou entra no assunto dos outros.

Como dito anteriormente, para o TDAH pode ocorrer a presença de apenas desatenção, apenas hiperatividade/impulsividade, ou de ambos, para o diagnóstico. O distúrbio deve começar antes dos 7 anos de idade, deve se manifestar em mais de um contexto (na escola e em casa, por exemplo), e deve haver comprometimento significativo do funcionamento social.

Os critérios acima foram escritos com base no DSM-IV, um manual diagnóstico de transtornos psiquiátricos.
 
Curso e prognóstico
O curso é bastante variável; existem aqueles que apresentam remissão total, outros que permanecem com o distúrbio na vida adulta, de maneira parcial ou completa. Naqueles que melhora, a hiperatividade é o primeiro sintoma a melhorar e a distração excessiva é o último. Na maioria dos pacientes, entretanto, ocorre uma melhora parcial e eles sofrem com os ‘efeitos colaterais’ do distúrbio - auto-imagem negativa devido ao distúrbio levando a comprometimentos na personalidade, depressão, etc. Em cerca de 15 a 20% dos casos apresenta permanência do TDAH na vida adulta.

Estudos parecem apontar que a melhora do TDAH, sua persistência parcial ou completa na vida adulta, dependem da melhora da agressividade apresentada pela criança (impulsividade, irritabilidade devido ao TDAH) e da melhora nas funções familiares.
 
Tratamento
O tratamento para o TDAH é feito usualmente com drogas estimulantes do sistema nervoso central, como é o caso do metilfenidato (Ritalina). Não se sabe o mecanismo exato de funcionamento, mas observa-se que até 75% dos casos apresenta uma melhora significativa. Outra droga bastante utilizada são os antidepressivos tricíclicos.

O uso de medicação é muito pouco para o que idealmente deve ser um tratamento multimodal do distúrbio; a psicoterapia é outra importante vertente que deve ser conduzida juntamente com a medicação. Frustrações, saber lidar com o distúrbio, desmistificar o uso da medicação (desmistificar o “sou louco”), re-estruturações do ambiente e do modo de vida, todas estas questões e conflitos familiares devem ser abordados na psicoterapia. Intervenções na escola, conversa com os professores, assim como intervenções na família dos afetados pelo TDAH também devem ser feitas.
 
Importante
Praticamente todos os transtornos psiquiátricos mais conhecidos podem cursar com sintomas cognitivos, como por exemplo a diminuição da atenção.

Depressão e ansiedade cursam comumente com diminuição da atenção. Entretanto, mesmo que vários sinais ou sintomas da desatenção coincidam com os critérios acima, isso não significa um diagnóstico de TDAH. Assim, deve-se estar atento à presença de outros diagnósticos antes de se pensar no TDAH. O exame minucioso do estado mental pelo psiquiatra associado à história trazida pela pessoa e pelos seus familiares é necessário para sanar qualquer tipo de dúvida em relação ao transtorno.
 
Links
- Associação Brasileira do Déficit de Atenção
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Psiq - Todos os direitos reservados - Dr. Alexandre Loch - Tels.: 11 3881-2009 - alexandre.loch@usp.br