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06/10/2008
Bulimia e Anorexia
Relatos de pacientes com anorexia nervosa e bulimia nervosa têm aumentado bastante ao longo das últimas décadas. Os transtornos alimentares assim têm ganhado a mídia; novelas, noticiários, jornais, revistas. Qualquer emagrecimento excessivo pode ser considerado uma anorexia nervosa? Como se apresenta a bulimia nervosa?

Saiba aqui sobre: Linhas gerais  /  Alguns dados  /  Mas o que é afinal a anorexia nervosa?  /  E a bulimia nervosa?  /  Tratamento  /  Curiosidades
 
Linhas gerais
O mundo tem cada vez mais voltado seus olhos para os transtornos alimentares. Eles sempre existiram, com relatos que datam da antigüidade, entretanto têm sido enfatizado pela mídia com freqüência crescente, principalmente devido a casos de anorexia que ocorreram ultimamente no mundo da moda.

Apesar de a moda usualmente recrutar modelos magras e terem isso como uma certa exigência, estudos mostram que a anorexia não é um transtorno ligado à cultura, ou seja; ela sempre existiu e não tem relação com as exigências da cultura. O que pode ocorrer é a “atração” de pessoas predispostas, ou já doentes, por tais profissões. Já a bulimia nervosa pode ter uma relação com a cultura em que a pessoa vive, segundo os mesmos estudos. Há quem conteste fortemente tais dados.

A anorexia se caracteriza de maneira geral por uma alteração da imagem que a pessoa tem do próprio corpo, ela se acha excessivamente “gorda” ou que partes de seu corpo estão acima do peso; caracteriza-se também por uma recusa persistente em se manter em um peso mínimo esperado para a altura; isto é, a pessoa se acha anormalmente acima do peso apesar de, na verdade, apresentar peso muito abaixo do limite da normalidade.

Já a bulimia nervosa caracteriza-se por episódios recorrentes de “comer compulsivo” seguido de sentimentos de culpa e nojo de si mesmo; para compensar tais sentimentos surgem então mecanismos compensatórios: indução de vômitos, exercícios físicos exagerados, dietas, etc. Tais episódios têm de ocorrer pelo menos duas a três vezes por semana para caraterizar o distúrbio.
 
Alguns dados
A anorexia nervosa:
- ocorre 10 vezes mais em mulheres do que em homens;
- na grande maioria dos casos inicia-se na adolescência;
- é visto com maior freqüência em países desenvolvidos;
- é visto com maior freqüência em profissões que exigem magreza, como modelos e bailarinas.
A bulimia nervosa:
- é mais freqüente do que a anorexia nervosa
- afeta 1 a 3% das mulheres jovens
- também é muito mais comum em mulheres do que em homens, mas sua idade de início é ligeiramente mais tardia, envolvendo os últimos anos da adolescência e os primeiros anos da idade adulta;
- sintomas ocasionais de bulimia nervosa têm sido relatado em até 40% das jovens universitárias.
 
Causas

Não há fatores biológicos claros até o momento para a anorexia nervosa, apesar de se notar certa concordância para a doença em gêmeos, demonstrando um componente genético. Com relação a fatores sociais, também não há uma configuração familiar específica para o desenvolvimento da doença, mas alguns dados apontam discretamente para a existência de relacionamento íntimo porém problemático com os pais. A doença desviaria então a atenção de tais relacionamentos.

Para a bulimia nervosa, acredita-se que haja o envolvimento de neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina. A endorfina plasmática também está aumentada em indivíduos que produzem o vômito, podendo ser um dos fatores causais biológicos também. Ao contrário da anorexia nervosa, verifica-se que famílias de bulímicos tem menor intimidade e maior grau de conflito entre os seus membros.

Tanto na bulimia como na anorexia nervosa os indivíduos parecem ter uma maior dificuldade de superar as demandas sociais da adolescência, segundo algumas teorias, passando a desenvolver o comportamento alimentar desadaptativo.
 
Mas o que é afinal a anorexia nervosa?
Como já foi visto, a anorexia geralmente inicia-se na adolescência. O comportamento anorético geralmente é mantido em segredo; a pessoa recusa-se a comer com a família ou em lugares públicos. Dietas rigorosas, exercícios ritualísticos, caminhar ou correr excessivos são comuns. A fome ainda está preservada, uma vez que observa-se comumente fixação por receitas ou crises de hiperfagia (comer excessivo) em alguns casos.

Ocorre então a amenorréia (a parada da menstruação), e com a progressão do distúrbio o emagrecimento começa a se tornar evidente para familiares e pessoas mais íntimas. Há pessoas que, com estaturas acima de 1,60 m, atingem pesos inferiores a 35, 40kg. Desta maneira advém uma série de complicações médicas devido ao exagerado baixo peso, como a caquexia (perda de gordura e massa muscular, incapacidade de manter a temperatura corporal), complicações cardíacas, dermatológicas e hematológicas.

Com relação às crises de “comer excessivo”, a anorexia se subdivide em dois tipos; no restritivo ocorre predominantemente a restrição da ingesta alimentar sem que haja episódios de purgação; no tipo purgativo além de todas as alterações vistas anteriormente há também crises de comer compulsivamente associadas a comportamentos purgativos (auto-indução de vômitos, uso excessivo de laxantes, etc.).

Os critérios diagnósticos envolvidos no diagnóstico da anorexia nervosa, segundo o DSM-IV, são:
A. recusa em manter o peso em um nível mínimo de 85% da normalidade para a altura;
B. medo intenso de ganhar peso ou de ficar gordo;
C. alteração na maneira de vivenciar o corpo (as pessoas acham-se muito gordas, deformadas, negam que estejam abaixo do peso ideal;
D. nas mulheres, amenorréia (parada da menstruação por pelo menos 3 ciclos consecutivos)
 
E a bulimia nervosa?
Na bulimia nervosa o componente principal do distúrbio são as crises repetitivas de compulsão por comida; os alimentos são ingeridos rapidamente, em grande quantidade, muitas vezes não sendo sequer mastigados. Há um sentimento de perda de controle durante esses episódios.

A seguir aparece o sentimento de culpa e seguem-se, usulamente, episódios purgativos onde a pessoa induz o vômito, geralmente colocando o dedo na garganta. Algumas pessoas conseguem induzir o vômito sem o uso deste artifício. O vômito diminui a sensação de inchaço no estômago, permitindo que a pessoa volte a comer sem a culpa de que possa estar engordando.

A maioria dos pacientes apresenta peso normal, mas alguns podem estar acima ou abaixo do peso ideal para a altura. A bulimia nervosa divide-se também em dois subtipos, à exemplo da anorexia nervosa: tipo purgativo, com freqüente indução de vômitos, e tipo sem purgação, onde o indivíduo usa outros mecanismos compensatórios para a sua culpa, como exercícios físicos e uso indevido de laxantes.

Os critérios do DSM-IV para o distúrbio são:
A. Episódios recorrentes de compulsão periódica, caracterizados por:
- ingesta durante um determinado período de tempo (por exemplo 2 horas) de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que uma pessoa normal comeria;
- sentimento de falta de controle sobre a ingesta alimentar durante o episódio.
B. Comportamento compensatório inadequado e recorrente (exercício, vômitos, laxantes, etc.);
C. As crises de compulsão alimentar ocorrem em geral 3 vezes por semana;
D. Auto-avaliação pessoal definitivamente influenciada pela forma e peso do corpo;
E. O distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de anorexia nervosa.
 
Tratamento
O tratamento para a anorexia nervosa geralmente é difícil uma vez que a pessoa que sofre do distúrbio não reconhece a doença e resiste bastante à abordagem médica. A terapêutica consiste basicamente de internações hospitalares e de psicoterapia.

As internações são fundamentais para restaurar o estado nutricional do paciente, uma vez que muitas vezes quando são levados ao tratamento estão em condições precárias de saúde, com todas as reservas de energia e defesas do organismo depletadas devido à falta de alimentação.

Outro marco no tratamento da anorexia é a psicoterapia; intervenções familiares também são muito importantes. Em geral constitui-se uma equipe multidisciplinar composta por psiquiatra, clínico geral, nutricionista e psicólogo/psicoterapeuta para o tratamento do distúrbio.
 
Curiosidades

- Há alguns anos iniciaram-se organizações pró-anorexia (Pró-Ana, Pró-Mia, Anoretic Nation, etc) pela internet; tentou-se, em vão, banir tais sites, sob a acusação de que eles estimulavam o desenvolvimento da doença descrevendo roteiros, dietas, exercícios para que se perca peso drasticamente. Hoje podem ser achados dezenas e dezenas de sites sobre a doença, principalmente ‘blogs’ (muitos brasileiros), escritos por pessoas que possivelmente sofrem do mal. É só digitar, por exemplo, ”pro-ana” no Google.
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Psiq - Todos os direitos reservados - Dr. Alexandre Loch - Tels.: 11 3881-2009 - alexandre.loch@usp.br