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06/10/2008
Esquizofrenia
A esquizofrenia é um dos distúrbios mais clássicos na psiquiatria; pessoas que têm alucinações, vêem coisas e ouvem vozes, acreditam estarem sendo perseguidas, pensam estarem sendo vigiadas por microcâmeras, microchips implantados no cérebro, e assim por diante. Bem divulgada em filmes e na literatura, a esquizofrenia é o representante mais simbólico da “loucura”, na acepção popular do termo.

Aqui você encontrará:  histórico  /  dados estatísticos  /  causas  /  diagnóstico  /  subtipos  /  curso e prognóstico  /  tratamento  /  nas artes  
 
Histórico
A esquizofrenia nasceu juntamente com a psiquiatria. No século XIX, ganhou o nome de demence precoce por Morel e Kraepelin. Bleuler substituiu o termo por esquizofrenia, palavra usada até os dias de hoje (schizo = cisão, phrenos = afeto). Foi ele quem sugeriu também “os 4 A’s” para a caracterização diagnóstica do distúrbio: alteração na associação de idéias, ambivalências, alterações do afeto, e autismo.

Ao longo do século XX vários teóricos como Kurt Schneider e Karl Jaspers trabalharam em cima do conceito de esquizofrenia. O primeiro separou os critérios em primeira ordem (pensamentos são ouvidos por terceiros, vozes comentam suas ações, etc) e de segunda ordem (alterações de humor, perplexidade, etc).

Já o segundo postulou que não deviam haver critérios diagnóstico rígidos, e que a psicopatologia (estudo das alterações psíquicas em si, sem preocupação diagnóstica) devia ser enfocada.

Modernas linhas de pensamento hoje no mundo direcionam suas pesquisas para a idéia de que a esquizofrenia e outras alterações psicóticas estariam em um continuum com a população geral.
 
Dados estatísticos

Cerca de 1% da população geral tem esquizofrenia. Atinge igualmente homens e mulheres, apesar de a idade de início diferir para ambos os sexos. Homens tem em média um início mais precoce, entre 15 e 25 anos, enquanto que para as mulheres a idade do surgimento do transtorno varia de 25 a 35 anos. Esquizofrenia começando em idades diversas dessas faixas são menos freqüentes mas acontecem.
 
Causas
A causa da esquizofrenia é ainda desconhecida. Diversas teorias foram propostas, assim como diversos achados foram feitos ao longo dessas décadas, mas nenhuma foi consistente o suficiente para que se elaborasse uma teoria definitiva e absoluta sobre a etiologia da doença.

A hipótese dopaminica da esquizofrenia postula que o transtorno se deve a uma atividade excessiva da dopamina. Não se sabe se há excesso de dopamina, se há excesso de receptores para a substância, uma hipersensibilidade ao neurotransmissor ou uma combinação de todos esses fatores.
Estudos com gêmeos e com famílias de pessoas com esquizofrenia apontam também para uma forte base genética para o transtorno.

Achados de ressonância magnética mostram aumento dos sulcos laterais (cavidades no cérebro para a circulação de liquor, fluído que envolve o sistema nervoso central) em pacientes com esquizofrenia.

Teorias psicanalíticas colocam que a formação do ego de pessoas com esquizofrenia não foi eficiente durante os primeiros anos de infância. Os sintomas deles teriam valor simbólico; alucinações mostrariam a incapacidade do indivíduo de encarar a realidade por muita angústia, fantasias sobre o fim do mundo implicariam em uma ruína do mundo interior da pessoa, e assim por diante.

Teorias envolvendo a família falam de duplo vínculo (famílias onde a comunicação seria feita de duas formas opostas; a linguagem verbal mandaria uma mensagem enquanto que a linguagem corporal mandaria outra mensagem distinta, por exemplo; a esquizofrenia seria uma fuga a este impasse), de cisma (cisma entre os pais e união de um dos pais com o filho do sexo oposto), de famílias pseudo-mútuas e pseudo-hostis (as emoções da família são suprimidas criando um padrão particular de transmissão de sentimentos entre os familiares; ao sair do âmbito familiar e enfrentar outros tipos de códigos, mais consensuais, há o desenvolvimento da doença), e de emoção expressa (hostilidade excessiva e envolvimento excessivo seriam responsáveis por aumento do distúrbio).

Como se vê, não faltam teorias para o desenvolvimento da esquizofrenia. Apesar de ser um dos primeiros distúrbios a serem descritos, praticamente fundando a psiquiatria, não há concenso ainda sobre a doença.
 
Diagnóstico
O diagnóstico de esquizofrenia hoje envolve algumas dimensões:

a. sintomas característicos por mais de 1 mês: dois dos seguintes devem se fazer presentes: delírios, alucinações, desorganização do discurso, desorganização do comportamento, sintomas negativos (isolamento social, “falta” de afetividade, etc.)
b. disfunção social/ocupacional: acentuada diminuição de capacidade para trabalho ou interações sociais (família, amigos)
c. duração de pelo menos 6 meses, com persistência da perturbação durante grande parte desse tempo
d. exclusão de outros diagnósticos: como transtorno afetivo bipolar, transtorno esquizoafetivo, indução dos sintomas pelo uso de drogas ou por alguma doença física.

É importante frisar que nem toda pessoa que apresente sintomas psicóticos (delírios, alucinações) tem necessariamente esquizofrenia; há uma ampla gama de diagnósticos (que podem incluir inclusive a depressão psicótica) que envolvem tais sintomas e que nada tem a ver com a esquizofrenia
 
Subtipos
Alguns subtipos são descritos para a esquizofrenia, em uma tentativa de se delimitar melhor a doença:

I. paranóide: apresentam-se persecutórios, acreditam em grandes conspirações ou sociedades secretas, por exemplo, que estariam atrás deles.
II. Desorganizado: predominam os pensamentos e os comportamentos desorganizados, atitudes bizarras, etc.
III. Catatônico: quadro peculiar de extrema limitação de movimentos, permanecendo grande parte do tempo, calados, rígidos; não se movem, não falam, olhar fixo.
 
Curso e prognóstico
A esquizofrenia tem um curso crônico que, se não cuidada atentamente, pode evoluir com inúmeras internações e evolução desfavorável em até 50% dos casos. Até 1/3 dos pacientes têm deteriorações muito discretas e podem levar uma vida considerada normal.
 
Tratamento
A base do tratamento para a esquizofrenia é a utilização de drogas ditas anti-psicóticas (haloperidol, risperidona, olanzapina, clozapina, etc.). Tais drogas tem espectro amplo de ação, sendo usadas em muitos outros distúrbios como a depressão e o transtorno bipolar, mas na esquizofrenia elas constituem o carro-chefe do tratamento e geralmente são utilizadas em doses altas.

Pacientes com esquizofrenia muitas vezes oferecem risco de agressão a si próprios e a outros quando em crise, sendo que muitas vezes a internação é necessária.

A psicoterapia tem ganhado importância crescente no tratamento de pacientes psicóticos. É de suma importância também o atendimento de familiares para que se avalie o contexto familiar do paciente e para que eventuais dificuldades de relacionamento possam ser sanadas ou amenizadas. A família sempre tem de estar envolvida uma vez que o tratamento muitas vezes é dificultoso e requer atenção especial.
 
Nas artes
- Em “Mente Brilhante”, talvez o filme mais famoso sobre a loucura e os sintomas psicóticos, um quadro persecutório paranóide é demonstrado com grande maestria pelo diretor. Tal quadro pode se assemelhar bastante ao de um paciente com esquizofrenia.

- No livro “Inferno”, August Strindberg, um escritor sueco que segundo alguns teria desenvolvido esquizofrenia, relata seus tormentos durante crises psicóticas.

- Arthur Bispo do Rosário era um paciente com esquizofrenia paranóide, que viveu internado durante 50 anos em um hospital psiquiátrico, e se tornou famoso internacionalmente pelas suas construções artísticas (veja algumas aqui, no site de Jarapatuba, sua cidade natal)
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