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06/10/2008
Álcool e Drogas
O uso de substâncias tem sido crescente nos dias de hoje; estimulantes, álcool, anabolizantes, alucinógenos, tabaco, café… Escritórios, bares, “baladas”, em casa, amigos… Parece que a realidade tem sido dura demais para que ela seja suportada sem a utilização de uma substância, seja ela entorpecedora ou estimulante.

Aqui você saberá sobre: 
Visão geral  /  Sou um dependente?  /  Álcool  /  Cocaína e crack  /  Anfetaminas  /  Cannabis  /  Tratamento  /  Curiosidades
 
Visão geral
A dependência e abuso de substâncias tem sido cada vez mais freqüente nos dias atuais. Assim como cresce o número de dependentes (e diminui a idade de início de uso), cresce o número de novas drogas.

Da época dos bacanais romanos (culto ao Deus do vinho, Baco), passando pelo ópio do início do século XX, pela Mescalina dos filósofos do mesmo século, pela maconha e pelo LSD do movimento Hippie, tem-se hoje as “club drugs”, drogas usadas geralmente em “raves”, boates e afins, geralmente anfetamínicos e alucinógenos sintéticos.

Mais dependências, mais substâncias, mais”drogas”. Mesmo a maconha usada hoje em dia possui concentração superior de cannabis àquela usada outrora, dizem algumas fontes, além de ganhar outras versões mais poderosas como o hashishe, o “skank”, o mesclado (maconha + crack).

Com relação ao álcool os problemas já são conhecidos; depois das doenças cardíacas e do câncer, os problemas relacionados ao álcool estão em terceiro lugar em importância nos E.U.A.. Estimativas apontam que metade dos acidentes automobilísticos com vítimas fatais envolviam pessoas embriagadas. Há diversos números que poderiam tornar esta seção interminável, descrevendo os prejuízos causados pelo álcool.
 
Sou um dependente?
Em linhas gerais, a pessoa pode ser considerada uma dependente de determinada substância quando ela desenvolve:

a) tolerância: necessidade de quantidades cada vez maiores da substância, de forma a obter o mesmo efeito desejado, ou, perda do efeito da substância quando em uso contínuo da mesma quantidade;

b) abstinência; alterações físicas e/ou psicológicas decorrentes da cessação do uso da substância, ou da diminuição do uso da mesma. Cada droga possui uma síndrome específica de abstinência.

Além destes critérios gerais há outros como:
- uso maior do que o programado;
- incapacidade de reduzir o uso;
- muito tempo gasto na aquisição, no uso e na recuperação do uso de tal substância;
- abandono de importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas para focar-se na substância;
- o uso da substância continua apesar da consciência do mal que ela traz.
 
Álcool
Uma das substâncias com maior número de dependentes, já são bem conhecidos seus efeitos. Alguns estudos apontam que 10% das mulheres e 20% dos homens da população geral reúnem critérios em algum período de suas vidas para a dependência da substância.

Um padrão de uso diário de álcool associado a tremores e suor excessivo em mãos ao despertar (podendo aparecer em qualquer período do dia) fazem parte do quadro clínico. A síndrome de abstinência pode envolver o clássico “delirium tremens”, onde há a ocorrência de “alucinações”, geralmente com bichos (insetos), e tremores intensos devido à falta de álcool no organismo.

A dependência do álcool pode levar a complicações graves como alterações hepáticas potencialmente fatais (cirrose hepática, necessidade de transplante de fígado), desnutrição e alterações amnésticas/alterações de memória irreversíveis (síndrome de Korsakoff).
 
Cocaína e crack
A folha de Erythroxylon coca é originária da América do Sul, onde nativos a mascam para efeitos estimulantes. A cocaína é extraída deste arbusto, e pode assumir formas mais potentes como a base livre e o crack.

O crack é uma forma altamente potente de cocaína na qual até um ou dois usos podem gerar dependência. Ambos estão relacionados a complicações cerebro-vasculares a longo prazo, uma vez que induzem a diminuição do fluxo sangüíneo cerebral como efeito.

A intoxicação gera efeitos semelhantes aos do uso de anfetaminas: taquicardia, dilatação de pupilas, anormalidades da pressão sangüínea, náusea, vômitos, agitação. Na abstinência observa-se fadiga, pesadelos vívidos, aumento do apetite, insônia, retardo ou agitação psicomotora.

Eventos adversos incluem infartos cerebrais isquêmicos (”derrame”), infarto cardíaco, convulsões.
 
Anfetaminas
Talvez as anfetaminas ou derivados/correlatos mais amplamente divulgados são o ecstasy e as fórmulas de emagrecer usadas de maneira abusiva.
Gerando a liberação de dopamina, seus efeitos incluem taquicardia, dilatação das pupilas, alteração de pressão sangüínea, agitação, tensão, raiva, euforia, alterações da sociabilidade, etc.

Os sintomas de abstinência incluem ansiedade, tremores, letargia (lentificação de movimentos e de pensamento), pesadelos, fadiga. Um efeito mais deletério da abstinência de anfetamínicos é a depressão, que pode ser potencialmente grave.

Outros efeitos incluem a psicose induzida por anfetaminas, como por exemplo achar que está sendo perseguido, que algo muito ruim vai acontecer, e assim por diante.
 
Cannabis
A maconha é derivada da erva Cannabis sativa, planta que possui o tetrahidrocanabinol, componente ativo da droga, em todas as suas partes. A intoxicação pela droga gera tipicamente olhos vermelhos, aumento do apetite, boca seca, taquicardia, euforia, ansiedade, torpor.

A síndrome de abstinência é discreta e envolve uma leve irritação e ansiedade, que pode estar associada também a insônia, após a cessação do uso.
Entretanto complicações graves têm sido associadas ao uso da maconha. A primeira delas, ainda controversa no meio científico, é a síndrome amotivacional. Consiste de falta de energia e disposição para atividades habituais; o indivíduo não tem qualquer estímulo para persistir em suas atividades. Geralmente ganha peso e parece uma pessoa morosa. Há a associação de alterações de memória também. Observa-se a síndrome após uso pesado e prolongado da droga.

Outro problema grave que tem sido associado à droga, ainda que não seja um consenso na comunidade científica mundial, é a indução de esquizofrenia em adolescentes e adultos jovens. Estudos atuais fazem a hipótese de que a maconha adiantaria a idade de início da doença, em pessoas com uma certa predisposição.
 
Tratamento
O tratamento de dependência de substâncias é difícil, trabalhoso e requer muita força de vontade do paciente, em primeiro lugar. Quase todos os tratamentos realizados “à força” tem se mostrado ineficazes, segundo algumas diretrizes internacionais de tratamento.

O tratamento compulsório se faz em intoxicações, em síndromes de abstinência ou em outras situações que envolvam risco de vida para o paciente ou para familiares, sendo a mesma de curtíssima permanência (muitas vezes não passam de dias).

Caso contrário o tratamento é feito de maneira ambulatorial, devendo-se guardar como último recurso a internação psiquiátrica em regime fechado.
Isto é; sem o desejo do paciente em se tratar não há tratamento (salvo situações especiais).

O tratamento em si envolve medidas comportamentais e algumas vezes pode haver o uso de medicações como benzodiazepínicos, anti-psicóticos, e outras mais específicas como o anti-etanol (dependência de álcool) e a metadona (dependência de opióides).

O emprego de psicoterapia é bastante eficaz, e deve-se tratar as comorbidades que surgem com o tratamento. De maneira geral espera-se pelo menos um mês de abstinência total da droga para que se possa fazer algum outro diagnóstico além da dependência.

Grupos de ajuda como os A.A. (alcoólicos anônimos) e o N.A. (narcóticos anônimos) são também de grande valia.
 
Links
- Narcóticos Anônimos (N.A.)
- Alcoólicos Anônimos (A.A.)

 
Curiosidades
- Sigmund Freud fez uso de cocaína por cerca de 10 anos, antes de iniciar os seus escritos psicanalíticos, dizem alguns historiadores. Empregava a substância em seus pacientes também. A cocaína não era tida como droga geradora de dependência até o final do século XX, quando foi incluída nas grandes classificações psiquiátricas internacionais, após descoberto seu devastador poder sobre o cérebro.

- Há um livro que o famoso escritor Aldous Huxley (”Admirável Mundo Novo”) escreveu sob efeito da mescalina, um alucinógeno retirado de um cacto mexicano; “As portas da percepção”.

- Flashbacks são revivescências de episódios ocorridos com o uso da droga, e geralmente acontecem com o uso do LSD mas há relatos da ocorrência deste fenômeno com maconha também.
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