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06/10/2008
Bipolaridade
O transtorno afetivo bipolar, ou T.A.B., é classificado como um transtorno do humor e consiste de alterações intensas e persistentes do mesmo, geralmente caracterizadas por períodos de depressão e de mania (euforia exagerada, excesso de disposição, gastos e atitudes inconseqüentes); ou seja, diferencia-se da depressão justamente pela presença de episódios distintos “opostos” aos depressivos, os episódios maníacos. De maneira geral cada fase dura vários dias, e cada pessoa apresenta um padrão próprio de ciclagem entre elas.

Leia aqui sobre: história / números / causas / diagnóstico / um porém… / tratamento / curso e prognóstico / links / curiosidades
 
História
O transtorno afetivo bipolar (TAB) é já bastante antigo. Hipócrates, cerca de 400 anos a.C., já empregava termos como “mania” e “melancolia” para descrever quadros de alterações de comportamento.

Jules Falret descreveu em 1854 um quadro de alterações cíclicas de humor, com os mesmos períodos de mania e de melancolia, o qual denominou folie circulaire. Jules Baillarger descreveu quadro semelhante com o nome de folie a double forme. Em 1882, Karl Kahlbaum usou o termo “ciclotimia” para delimitar quadros semelhantes.

Antes de receber o termo “transtorno bipolar”, o distúrbio era conhecido como “psicose maníaco-depressiva”, ou PMD, termo que ainda pode ser ouvido hoje em dia com psiquiatras mais antigos ou pacientes que já se tratam há muitos anos.
 
Números
O transtorno bipolar afeta igualmente homens e mulheres, não havendo diferença na incidência do distúrbio entre os sexos. Na população geral sua incidência é semelhante àquela encontrada na esquizofrenia; 1%.

Entretanto correntes novas de pesquisa apontam uma incidência muito superior a essa. Alguns estudos falam que até 10% da população tem o distúrbio; tais estudos utilizam conceitos diferenciados de diagnóstico que ampliam o conceito de quem é ou não bipolar.
 
Causas
À exemplo da depressão, a etiologia exata do transtorno bipolar não é conhecida ainda. Novamente aqui se dividem os fatores causais em três grandes grupos:

- fatores biológicos: incluem as teorias sobre as aminas biogênicas (serotonina e adrenalina) nas quais tais substâncias influenciariam no desenvolvimento do transtorno. A regulação neuro-endócrina alterada seria outro responsável pelos transtornos do humor envolvendo o eixo adrenal, o eixo da tireóide e o eixo do hormônio do crescimento.

- fatores genéticos: familiares de primeiro grau de pessoas com TAB tem um risco de 8 a 18 vezes maior de desenvolverem o transtorno bipolar, segundo algumas pesquisas. Em estudos com gêmeos idênticos, quando um desenvolve TAB a chance de o outro desenvolver o distúrbio também chega a ser de 90%. Tais dados reforçam a grande ancoragem genética que tal transtorno possui.

- fatores psicossociais: é tido como certo já que situações de grande estresse ao indivíduo desencadeiam as primeiras crises do TAB; com o passar dos anos as crises começam a vir independentemente da existência de estressor ou não. Há uma grande influência da biografia (educação recebida, família, relacionamentos pessoais, etc) no desenvolvimento do transtorno. Como na depressão, nenhum tipo de personalidade foi associado ao transtorno bipolar, ou seja, qualquer tipo de pessoa está susceptível ao distúrbio.
 
Diagnóstico
O diagnóstico do TAB é feito principalmente pela presença de episódios maníacos ou hipo-maníacos. O que isso quer dizer? Se a pessoa tem apenas depressão, ela recebe diagnóstico apenas de depressão. Entretanto, se além da depressão apresentar episódios maníacos/hipomaníacos, ou se apresentar apenas episódios maníacos/hipomaníacos por si só, deverá ser diagnosticada como bipolar, ou tendo TAB.

Vamos aos critérios para um episódio maníaco:
Período distinto de humor expansivo, eufórico, de pelo menos 1 semana, onde se observa pelo menos 3 dos seguintes sinais/sintomas:
1. grandiosidade/auto-estima muito elevada
2. necessidade diminuída por sono
3. muito mais falante que o habitual
4. “os pensamentos/as idéias estão correndo”
5. distração aumentada
6. agitação, inquietação
7. envolvimento excessivo com atividades agradáveis com grande risco de conseqüências dolorosas (gastos excessivos, procura inconseqüente por sexo, etc.)

Tais alterações são geralmente notadas por terceiros que conseguem reconhecer uma visível alteração do comportamento da pessoa.
Quando essas alterações são suficientemente graves para comprometer o funcionamento social do indivíduo (trabalho, amigos, família) pode-se falar em um episódio maníaco. Quando não há um grande comprometimento, apesar de os critérios acima se fazerem presentes, falamos em episódio hipomaníaco.
 
Um porém…
É importante notar que alterações de humor são normais em todo ser humano, aliás, ter um humor estável demais pode às vezes sugerir algum distúrbio! O que se destaca em tais critérios é a grande intensidade com que tais alterações ocorrem e a duração de tais episódios, geralmente de alguns dias.

Outros diagnósticos que diferem do TAB com relação à intensidade: existe um distúrbio mais brando, também cíclico, que é a ciclotimia. Na ciclotimia os episódios de humor acontecem, há a ciclagem entre fases de humor, mas as fases de humor são mais brandas, mais leves. A ciclagem também é mais constante.

Outros diagnósticos que diferem do TAB com relação à duração: quando as variações de humor são intensas mas muito fugazes, breves, rápidas, pode-se confundir o TAB com alterações na formação da personalidade, como é o caso da personalidade emocionalmente instável, o transtorno de personalidade borderline. Nesta entidade há uma série de outros comemorativos que possibilitam a diferenciação dela com o TAB.

Ainda com respeito à duração das fases de alteração de humor, alguns pregam também a existência dos cicladores rápidos. Pesquisadores defendem a hipótese de que hajam pessoas com TAB que apresentem ciclagem muito rápida entre um episódio e outro, às vezes de menos de 2 dias (ciclador ultra-rápido). Isso não é consenso.
 
Tratamento

No passado, quando não haviam terapias especializadas para o tratamento do TAB, um episódio de mania durava em média 4 meses. Como a pessoa apresentava comportamento de risco para ela própria e para outros, como por exemplo agressividade, compras excessivas, comportamento sexual de risco, etc., elas tinham de ser muitas vezes confinadas até que tais episódios remitissem espontaneamente. Hoje em dia há o emprego em larga escala de medicações conhecidas como estabilizadores de humor; as principais delas são 3: o lítio, a carbamazepina e o ácido valpróico. Com tais fármacos associados a antipsicóticos houve uma revolução no tratamento do TAB.

Crises são controladas com mais facilidade e com muito mais rapidez. Crises que duravam meses agora podem durar apenas dias com a introdução da medicação certa. Isso faz com que internações psiquiátricas sejam bem menos necessárias, e quando forem necessárias, duram bem menos.
 
Curso e prognóstico
Outra grande melhoria no tratamento é a estabilização do humor, a prevenção de crises futuras. O TAB tende a se cronificar, o que isso quer dizer?
Quanto mais crises a pessoa tiver, mais propensa ela estará a ter uma outra crise, esta será mais difícil de controlar, e durará mais tempo que as crises iniciais.

Geralmente os pacientes se queixam de usar as medicações por efeitos colaterais, mas com o tratamento de manutenção um induvíduo pode ficar livre de crises pelo resto da vida. Não é raro encontrar pacientes há 8, 10 anos sem crises após ter atingido um controle ideal.
Efeitos colaterais podem ser contornados conversando com o seu psiquiatra, mas internações psiquiátricas não podem ser apagadas da memória.
 
Links
-
http://www.bipolar.com/ (site em inglês sobre a doença)
 
Curiosidades:
Alguns psiquiatras interessados em história e biografia de grandes artistas afirmam que Van Gogh poderia ter o Transtorno Afetivo Bipolar. O grande pintor teria se mutilado arrancando a própria orelha durante uma crise de alteração de humor com sintomas psicóticos (talvez alucinações auditivas fazendo com que arrancasse a orelha para que elas parassem).

Outros ajudam a justificar tal distúrbio através de suas pinturas, como por exemplo o “Campo de trigo com corvos” de 1890. A parte de cima, em tonalidade azul e negra, com corvos lúgubres voando em bandos, teria sido pintada em um momento depressivo. A parte de baixo, a do trigaral, envolvendo tonalidades chamativas, claras e vibrantes, denotaria a alegria e entusiasmo de uma fase maníaca, ou hipomaníaca. Será?(Site das fotos: The Galilean Library)
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