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03/10/2008
Ansiedade

O pensamento está sempre voltado para o futuro; o presente é impossível de ser suportado; desejaria poder avançar no tempo, a espera é insuportável; tenho muitas coisas a fazer, me falta tempo; queria um dia com 48 horas; estou me sentindo extremamente ansioso, sem qualquer motivo; sempre fui uma pessoa muito ansiosa… Insônia, impaciência, irritabilidade, incapacidade de esperar, sintomas físicos de ansiedade.

Nesta seção você poderá ler sobre a ansiedade: Ansiedade normal  /  Ansiedade patológica  /  Alguns distúrbios de ansiedade  /  Como e quando tratar a ansiedade  /  Em suma:  /  Links
 
Ansiedade normal
A ansiedade é uma reação em geral normal do ser humano. É um sentimento que acompanha mudanças na vida da pessoa; separação da criança dos pais ao ir para escola, rompimento de relacionamentos, espectativa para fazer provas ou testes, e assim por diante.

A ansiedade é um sintoma primariamente psíquico, ou seja, a pessoa se sente ansiosa e conta isso aos outros, por exemplo, mas há uma série de sinais que acompanham a sensação mental que incluem: tontura, diarréia, pressão alta, palpitação, tremor, sudorese excessiva, etc. As reações variam de indivíduo a outro.

Assim ela se divide em dois aspectos: 1) sua percepção de alterações fisiológicas (como sudorese e palpitação) e 2) a consciência de estar nervoso ou amedrontado.

A ansiedade tem como função adaptativa básica o alerta a perigos internos (dor) ou externos (ameaça de lesão corporal). Desta maneira, pode vir acompanhada de medo (medo de morrer frente à um assalto), e visa a preparar o indivíduo para reações imediatas ou evitar tais ameaças, ou pelo menos atenuar os seus danos.

“Estresse” geralmente depende do estímulo e do indivíduo que recebe o estímulo. Assim, um desbalanço entre o interno (capacidade de a pessoa manter-se calma, estruturação psicológica, e assim por diante) e o externo (sobrecarga emocional e/ou física) gera o estresse.
 
Ansiedade patológica
A ansiedade passa a ser patológica na medida em que ela aparece sem que haja um estímulo, ou seja, na medida em que a pessoa fique ansiosa sem ter um motivo aparente. Palpitações, sudorese, “aperto no peito” surgem com uma freqüência razoável sem que haja uma causa imediata que possa ser identificada por ele.

Outro critério que geralmente é usado é quando a reação ansiosa é desproporcional ao estímulo. Reações muito drásticas a estímulos que normalmente teriam de desencadear respostas menores por parte do indivíduo.

As causas são as mais variadas; as teorias psicológicas falam e repressão de desejos (Freud),  de condicionamento de respostas ansiosas (teorias comportamentais) e de vazios existenciais (teorias existenciais).

As teorias biológicas falam em hiper-excitação do sistema nervoso autônomo (aquele que é responsável por respostas como taquicardia, dor de cabeça e aceleração da respiração, por exemplo) e desequilíbrio de hormônios como a serotonina e a noradrenalina, além de fatores genéticos que contribuem para isso.
 
Alguns distúrbios de ansiedade:
Além do transtorno de pânico, outras alterações ansiosas são importantes na psiquiatria:

- Transtorno de estresse pós-traumático: este distúrbio começou a ser descrito com o advento das guerras, mas com outros nomes; “choque de granada” para quadros semelhantes após a segunda guerra mundial, neurose traumática descrita pela psicanálise no começo do século XIX.

Caracteriza-se por diversos critérios que, a grosso modo, podem ser resumidos pelo desenvolvimento de crises de ansiedade após um evento traumático intenso que tenha causado, medo, impotência ou horror.

As crises incluem revivescências do episódio, ou seja, as cenas traumáticas são revividas no presente pela pessoa, como se estivessem acontecendo naquele exato momento, e há um comportamento de esquiva a estímulos relacionados ao evento.

Tal distúrbio veio à tona com a descrição que é atualmente conhecida após a guerra do Vietnam, quando neuroses dos veteranos de guerras foram descritas; tais pessoas viviam em uma sensação persistente de tensão, ouviam tiros que haviam ocorrido durante a guerra, etc.

Com a violência urbana o transtorno tem sido muito relacionado a seqüestros relâmpagos e grandes centros de psiquiatria no país tem agrupado ambulatórios de vítimas dessas ocorrências.

- Transtorno de ansiedade generalizada: tal distúrbio caracteriza-se por sensações de tensão, ansiedade e preocupação constantes durante a grande parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos 6 meses.

Pelo menos três dos 6 sintomas seguintes têm de estar presentes, associados à ansiedade: inquietação, fatigabilidade, dificuldade em concentrar-se, irritabilidade, tensão muscular, perturbação do sono.

Hoje em dia observa-se muitos executivos e outros profissionais com cargas horárias excessivas e grande cobrança, exigência e competitividade no trabalho, desenvolvendo este distúrbio. Geralmente passam anos sem serem diagnosticados, uma vez que não costumam dar atenção ao próprio nível de estresse devido à alta competitividade do mercado.

- Outros transtornos: incluem as fobias, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os transtornos ansiosos devidos a condições médicas, o transtorno de estresse agudo, e transtornos ansiosos devidos ao uso de substâncias.
 
Como e quando tratar a ansiedade?
Hoje em dia a ansiedade é uma das queixas mais freqüentes em ambulatórios gerais, em ginecologistas, em psiquiatras; nas mesas de bares, nos almoços durante intervalos do trabalho, na academia, em casa, na cama de casal.

Como é uma questão muito corrente, diversas medidas, ou tratamentos, surgiram; técnicas de relaxamento, yoga, acupuntura, caminhadas, bio-feedback, etc.

Algumas apresentam comprovação científica, outras ainda não, mas acredito que todas tenham sua funcionalidade para a ansiedade, dependendo de como a pessoa interage com tais modalidades.

São muito importantes para quando a ansiedade incomoda a pessoa mas não chega a atingir um nível patológico (o que é muito comum hoje em dia), e também alguns psiquiatras lançam mão de tais medidas para distúrbios da ansiedade propriamente ditos.

Quando a ansiedade atinge níveis patológicos pode ser necessário o uso de medicações; o psiquiatra pode prescrever antidepressivos ou calmantes para debelar a ansiedade. Psicoterapias são usadas em ampla escala para a ansiedade também, com bons resultados; tanto nas ansiedades patológicas como naquelas que não atingem tal nível.
 
 
Em suma:
- ansiedade é uma questão muito comum devido às exigências às quais somos submetidos hoje em dia (o “estresse”, por exemplo);

- medidas “populares” como exercícios físicos, yoga, sessões de relaxamento, ajudam, mas talvez não consigam debelar a ansiedade da maneira desejada;

- dessa forma, se você acha que tem ansiedade e que esta lhe incomoda, procure um especialista; este pode ajudar com medicações, com psicoterapia, ou com meras orientações.
 
Links:
- rastreamento para ansiedade (em inglês):
http://www.med.nyu.edu/psych/screens/anx.html

- neuróticos anônimos:
http://www.neuroticosanonimos.org.br/

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