> Depressão
     > Pânico
     > Ansiedade
     > Bipolaridade
     > Álcool e Drogas
     > Esquizofrenia
     > Bulimia e Anorexia
     > TDAH
     > T.O.C.
     > Outros
     > Psiquiatria e Sociedade
     > Filosofia e saúde mental
     > Outros
      Outros
      Dissociação
      Dúvidas
      noticia
      Planos
      
Dezembro 2017
Novembro 2017
Outubro 2017
Setembro 2017
Agosto 2017
Julho 2017
Junho 2017
Maio 2017
Abril 2017
Março 2017
Fevereiro 2017
Janeiro 2017
   
02/10/2008
Pânico

“Quando entrei no metrô, senti meu peito apertar. O ar me faltava, parecia que estava sendo sufocado. Achei que iria morrer ali, naquele instante! Não estava sentindo meu corpo, era como se estivesse saindo dele! A todo instante procurava uma maneira de sair daquele vagão, estava quase desmaiando! Foi o pior momento da minha vida, nunca esquecerei…” (relato de uma crise de pânico)

Aqui você encontrará sobre a ansiedade: História e informações básicas  /  Dados estatísticos  /  Causas  /  Quando suspeitar de crises/”síndrome” do pânico  /  IMPORTANTE!  /  Curso e prognóstico  /  Tratamento  /  Links  /  Curiosidades
 
História e Informações básicas
A síndrome do pânico foi primeiramente codificada em 1980.  Acredita-se, entretanto, que ela tenha sido inicialmente descrita no século XIX, durante a guerra civil americana; naquela época recebia o nome de “síndrome do coração irritável”, ou síndrome de Da Costa, em homenagem àquele que primeiro observou o distúrbio.

Freud introduziu o termo neurose de ansiedade para um quadro muito parecido com a síndrome do pânico. Foi o primeiro também a descrever a agorafobia como tendo relação com o pânico.

A agorafobia deriva do grego agora e fobos, significando “medo da praça pública”, uma vez que a Ágora era uma praça pública muito conhecida na Grécia antiga onde a democracia era exercida, já que lá todos tinham o direito de falar, não havia uma voz dominante; uma praça muito cheia, portanto.

Há teorias que acreditam que a agorafobia e o transtorno do pânico são entidades separadas e independentes, outros crêem que caminham sempre juntas; no momento não há concenso com relação a isso.
Os ataques (ou crises) de pânico de maneira geral são constituídos de crises agudas e intensas de ansiedade, com duração geralmente menor do que 1 hora. Quando há a ocorrência de mais de 1 crise e quando elas assumem um caráter recidivante (repetitivo) pode-se chamar o distúrbio de síndrome do pânico.

A agorafobia define-se em linhas gerais por um medo de sair de casa, ou medo de locais cheios. Mais à frente estas informações serão melhor caracterizadas.

Dados estatísticos
Há diversos estudos epidemiológicos sobre o transtorno de pânico mas em geral 3 a 5% das pessoas experiencia pelo menos uma crise de pânico durante toda a sua vida; já o número de pessoas com diagnóstico de transtorno de pânico varia de 1 a 4% na população geral.

O único fator com maior relação ao desenvolvimento do distúrbio é história de divórcio recente. Geralmente o problema se inicia na vida adulta jovem, por volta dos 25 anos; entretanto qualquer um pode ser atingido pelo transtorno do pânico ou pela agorafobia, em qualquer idade.
 
Causas
Fatores biológicos: a ansiedade é um tipo de resposta ao estresse. Quando um animal é submetido a um estresse, seu corpo sofre transformações para que ele possa fugir de um predador, por exemplo. Essas respostas são produzidas por substâncias como a adrenalina, gerando rápida mobilização de sangue para músculos, aceleração da hemodinâmica, estado psíquico de alerta, etc. Quando estas alterações começam a surgir de maneira excessiva, disfuncional, surge a ansiedade patológica.

Estudos aventam a possibilidade de o sistema nervoso autônomo (responsável por essas respostas) estar alterado no transtorno do pânico, gerando respostas ansiosas excessivas a estímulos fracos, ou mesmo gerando resposta adrenérgica (ansiosa) sem que haja estímulo.
Fatores genéticos: os estudos sobre genética e transtorno do pânico estão evoluindo com o tempo, mas acredita-se já que há um componente genético hereditário no advento da doença.

Fatores psicossociais: teorias psicanalíticas postulam que uma defesa mal-sucedida a “estímulos ansiogênicos” pode levar ao transtorno do pânico. Na agorafobia, o medo de locais públicos estaria relacionado à sensação de abandono gerado pela perda de um dos pais.

Muitas pessoas afirmam que os ataques de pânico ocorrem sem desencadeante nítido mas uma investigação psicoterapêutica/psiquiátrica mais profunda pode identificar desencadeantes psicológicos claros. Teorias falam que esses desencadeantes, que esses conflitos psicológicos muitas vezes não-conscientes que o indivíduo traz, quando não resolvidos tendem a modular a transmissão entre neurônios no cérebro levando às crises de pânico.
 
Quando suspeitar de crises/”síndrome” do pânico
Para a identificação das crises de pânico, 4 ou mais dos sinais abaixo devem ocorrer de maneira abrupta e intensa, alcançando um pico em 10 minutos:
1. palpitações, “batedeira” no peito
2. suor excessivo
3. tremores
4. sensação de falta de ar, sufocamento
5. sensações de asfixia
6. dor no peito
7. náusea ou desconforto abdominal
8. tontura, desmaio
9. sentir que está fora da realidade, ou sentir que está fora do próprio corpo
10. medo de perder o controle, medo de enlouquecer
11. medo de morrer
12. anestesia de partes do corpo, formigamentos
13. calafrios ou ondas de calor

Para que o diagnóstico de transtorno de pânico seja feito, é necessário que a pessoa apresente mais de um ataque de pânico, e que haja, por pelo menos 1 mês, pelo menos uma das ocorrências abaixo:
I. uma preocupação persistente com a possibilidade de ocorrerem outros ataques,
II. uma preocupação com relação às implicações do ataque ou às suas conseqüências,
III. uma alteração significativa do comportamento relacionada aos ataques.

Como foi descrito anteriormente, a agorafobia pode ocorrer de maneira isolada, ou seja, sem o transtorno de pânico, ou associada ao transtorno de pânico. Os critérios para a agorafobia são os que se seguem:
1. ansiedade grande em estar em locais onde possa haver dificuldades em ser atendido, caso haja um ataque de pânico. Estas situações geralmente incluem: estar fora de casa desacompanhado, estar em meio à multidão, filas, ônibus, metrô;
2. tais situações são evitadas ou suportadas com um acentuado sofrimento ou ansiedade em relação a ter um ataque de pânico.
 
IMPORTANTE!
As crises de pânico são facilmente confundidas com outras condições médicas como o infarto ou a pneumonia, por exemplo; os sintomas são praticamente os mesmos. É de suma importância que, em havendo a suspeita de uma crise de pânico, um clínico geral seja procurado para que se descarte qualquer possibilidade de um evento cardíaco ou outra patologia importante.

Feitos os exames adequados, descobertas as causas dos sintomas como falta de ar, aperto no peito e taquicardia, o clínico geral deverá encaminhar ao especialista cabível; cardiologista, pneumologista, psiquiatra, etc.
 
Curso e prognóstico
A maioria dos estudos diz que o transtorno de pânico é crônico; não obstante, 30 a 40% das pessoas se vêem livres das crises de pânico com tratamento a longo prazo, 50% tem sintomas leves que não atrapalham suas vidas e apenas 10 a 20% continuam tendo sintomas significativos.
 
Tratamento

O tratamento do pânico é feito geralmente com drogas anti-depressivas. Postula-se em alguns estudos que o tratamento ideal envolveria uma combinação entre o uso de remédios para o controle das crises e a psicoterapia para abordar outras complicações como temores em experimentar novas situações novamente, a relutância no uso das medicações devido à taxação de ‘doentes mentais’, etc.
 
Links:
Teste de auto-avaliação: tive uma crise de pânico? (em inglês)
http://panicdisorder.about.com/library/quizzes/blpanicattack.htm

 
Curiosidades:
- Você sabia que há substâncias que induzem a crise do pânico? É o caso da ioimbina e do dióxido de carbono (CO2).
- a hiperventilação (respiração rápida) gerada no pânico induz a um desequilíbrio de substâncias no sague, uma vez que a pessoa joga muito gás carbônico (CO2) para fora do corpo, pois está respirando rápido. Antigamente nos pronto-socorros pedia-se para que a pessoa respirasse em um saco de papel; retia-se CO2 nos pulmões e amenizava-se o desequilíbrio, melhorando a crise.

 

Voltar ]
Psiq - Todos os direitos reservados - Dr. Alexandre Loch - Tels.: 11 3881-2009 - alexandre.loch@usp.br